Baby beef
Ensaiei muito antes de escrever sobre esse tema. Sempre que escrevo um artigo, mesmo sabendo muito sobre o assunto, acabo por pesquisar, pois prezo por dar uma informação completa aos leitores fiéis que já se habituaram a ler esta coluna. Eu sabia dos horrores que encontraria quando fosse pesquisar, sabia da minha fragilidade quando o assunto é bezerro, mas aqui estou eu...
“Baby beef” ou carne de vitela. Nome bonito, não é? Nome bonito a preços exorbitantes... Mas você sabe o que é?
Tudo começa no mercado de laticínios, mas não quero me ater muito a esse assunto, pois pretendo na hora certa, escrever sobre ele. No mercado de laticínios, assim como nas granjas de produção de ovos, não há espaço para os animais machos, sendo assim, ao nascerem os bezerros são separados das mães para alimentarem outro tipo de comércio que, em palavras simples, causa asco.
Esses bebês, depois de separados das mães, são confinados e mantidos em caixas apertadas por um período aproximado de quatro meses sem conseguirem se levantar ou se movimentar, tudo isso para que seu corpinho não crie músculos. Durante esses meses de reclusão antes do abate, o filhote é alimentado por um substituto do leite materno (leite esse que por direito seria seu, mas que vai para os humanos, que já tiveram sua cota de leite materno quando bebês). Para que a carne fique macia e branca, é retirado desse composto alimentar o ferro, tornando o bezerro anêmico, assim sua carne não escurece, sendo mais apreciada pelos monstros que alimentam esse mercado.
O corpo em crescimento precisa do ferro, e o filhote, no desespero, procura lamber qualquer coisa feita de metal ferruginoso dentro do pequeno espaço onde ele se encontra. Quando não encontra o metal, come das próprias fezes, mesmo sendo animais que possuem aversão à sujeira.
A solução encontrada pelos produtores é forrar o fundo da caixa com ripas, assim os excrementos não acumulam... O homem sempre encontra soluções quando convêm aos próprios interesses egoístas...
A alimentação fornecida ao filhote é líquida e altamente calórica, para que a maciez da carne seja mantida e os pequenos engordem rapidamente. Para que sejam forçados a ingerir o máximo possível, nenhuma outra fonte de líquido é fornecida, fazendo com que se alimentem apenas deste produto mesmo quando têm apenas sede... De água.
Diante dessas técnicas, notou-se que o bezerro entrava em desespero e isso lhe causava úlceras. Aí o homem, em sua sabedoria infinita, encontrou nova “solução”... Manter o animal em total escuridão, preso ao chão, apenas conseguindo mover a cabeça para comer.
Se tudo isso ainda não te sensibilizou, nos concentremos então no sofrimento da mãe desse filhote; quando dá a luz seu bebê, que por direito inquestionável é seu, e precisa dos seus cuidados de mãe, tem sua cria retirada do seu lado e entra em depressão, mugindo por dias seguidos, em uma agonia inconsolável. Fico imaginando alguém retirando meu bebezinho de perto de mim após tanto tempo de espera e sofrimento para gerá-lo, e isso me causa um sentimento inexplicável.
Esse mercado é considerado um dos mais abomináveis e repulsivos do mundo e na Europa já é proibido, mas aqui na nossa “pátria mãe gentil” é aceito e não existe uma lei específica que proíba a prática. E mesmo que exista sabemos que não será cumprida, pois nessa nossa terra tudo se resolve com uma boa pizza regada com um bom suborno. Quando ouvir falar em baby beef, ou carne de vitela, você que termina de ler meu artigo, não terá como desculpa a ignorância sobre o assunto. Agora você sabe, então divulgue...
Eles são apenas bebês... Bebês que precisam do leite materno, do carinho e proteção que só uma mãe pode dar; precisa de espaço para correr, crescer e brincar, mesmo que seu destino final seja a panela dos acomodados ou um ridículo “espetáculo” de rodeio. Ainda assim a vida lhe dá o direito de crescer e desenvolver-se como Deus planejou.
A busca pelo prazer da gastronomia transformou-se quase que na busca pelo santo graal; não se medem mais esforços para encontrar novos sabores e texturas. Tudo é válido e tudo é permitido, desde que seja prazeroso. Torturas, mutilações, privações e sofrimentos inimagináveis... O fim sempre justificando os meios...
Vanderli do Carmo
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Azarados
Alguém já viu um sujeito mais azarado do que o gato preto? Pobre coitado...
Desde os primórdios associados com bruxas e feiticeiros, queimados em praças públicas juntos com seus donos, evitados, chutados, espancados, usados em rituais de magia negra, sem direito a um lar, pois quem quer ter por perto um gato preto?
Se um gato preto cruzar seu caminho, a coisa tá feia amigo... Não é isso que a maioria pensa?
Idolatrados no antigo Egito, possuíam lugar de destaque entre os faraós, mas o pobre viu sua sorte mudar na idade média onde a febre religiosa assolou o mundo. De deus ao demônio num piscar de olhos... Bastou que algum falastrão atribuísse sua pelagem negra às bruxas e pronto! Lá estava o pobre coitado pagando pela sua cor...
Uma das várias lendas que deturparam a imagem do animal aconteceu em um povoado alemão, lá pelo século XV, quando filho e pai foram assustados por um gato preto que lhes cruzou à frente. O felino mancava e tinha vários arranhões pelo corpo. Após pregar o susto, este correu para a casa de uma mulher que os habitantes da região suspeitavam que fosse bruxa. No dia seguinte, a mulher apareceu com vários curativos no braço e tinha passado a mancar também. Outra história relatada conta que um agricultor cortou a orelha de um gato durante a noite. O homem acreditava que o gato estava assombrando a sua propriedade. No dia seguinte, o agricultor regressou ao local, mas apenas encontrou parte da orelha de um humano. Conta outra lenda que uma mulher após ter sido acusada de bruxaria e condenada à fogueira, transformou-se em gato preto enquanto ardia nas chamas.
Foi assim que surgiu o mito de que as bruxas se transformam em gatos pretos durante a noite. E foi também desta forma que a imbecilidade humana encontrou “justificativa” para perseguir estes animais.
Mas ainda digo que o maior azarado nesta história toda é o bichano...
Apesar da caça às bruxas fazer parte apenas do acervo de vergonha do mundo, os pobres e amados felinos ainda vivem despertando o amor e o ódio. De um extremo a outro, em vários países são vistos como bons presságios, enquanto que em alguns ainda são mistificados e personificados como sendo enviados de satã.
Uma coisa eu sei... Azar de quem pensa que gato preto dá azar, porque não sabe o que está perdendo... Ter um gato em casa é algo delicioso e, independente da cor de sua pelagem, eles são únicos; cada bichano possui uma característica que os torna especiais e muito amados. A maior verdade nisso tudo, é que o ser humano sempre busca um motivo para perseguir e matar animais. Comê-los apenas não é o suficiente; há a necessidade de cometer atos de extrema crueldade, entre uma refeição e outra...
Difícil precisar desde quando isso ocorre, ou os motivos pelos quais um ser que pensa, ou assim o supõe, deixa-se levar por superstições tolas e sem sentido. Da mesma forma enquadro aqui, os amuletos retirados de partes de animais, como pés de coelhos, genitálias de botos, cavalos marinhos desidratados, estrelas do mar, animais empalhados... Na China a moda agora é prender peixes ou tartarugas dentro de sacos com água colorida e usar essa morbidez como porta chaves, tudo isso porque se acredita que tragam sorte. Sorte para quem?
Realmente encontrar um gato preto pela frente dá muito azar... Então, corra gatinho! Corra para salvar sua vida, pois senão seus últimos momentos serão um festival de azar, porque o homem, um ser pensante, que precisa de toda sorte do mundo, cruzou seu caminho...
Vanderli do Carmo
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Dias melhores virão...
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A promessa de um novo mundo, sem dor, e de abundante vida eterna, desde tempos remotos tem atraído fiéis para as mais variadas religiões. Deus limpará a terra, ceifando todas as vidas que não condizerem com suas regras e aqueles que aqui merecerem viver, terão uma vida de paz e inatividade, zanzando pelo paraíso prometido, em meio a cachoeiras, frutas maduras e suculentas, interagindo com animais selvagens que não serão mais ameaça, sempre felizes e sem envelhecer. Como se envelhecer e ser infeliz, fosse o maior dos problemas humanos...
Toda essa mudança, prometida pela Bíblia, já tem acontecido, mas é imperceptível. O paraíso prometido não está na terra, ou em qualquer outro mundo, mas sim dentro de cada um de nós, dentro do esforço pessoal e individual. Não será o batismo, os louvores e a pregação de porta em porta que nos dará o direito ao “paraíso”. Seria fácil demais... Deus não é esse ser ciumento e vingativo que as religiões pregam; se assim fosse, seria humano e não Deus, pois tais atributos pertencem aos espíritos impuros que aqui vivem. Deus é puro amor e pura bondade, incapaz de reivindicar louvores e encenações em seu nome. O que Ele espera de nós é, única e exclusivamente, o amor ao próximo, qualquer ser vivo. Ele espera de nós a compaixão, que é o sentimento mais nobre que podemos ter, e conseqüentemente a ação que advém dessa compaixão, ou seja, a caridade.
Já pensou se fosse assim tão fácil? Você frequenta o seu templo religioso duas vezes na semana, faz uma pregaçãozinha mais uma vez, um batismo quando alguém disser que está preparado, e depois está lá, no seu “inocente” churrasquinho de final de semana, sem importar-se com o animal que morreu de forma cruel para seu churrasco acontecer e, bum! O mundo acaba... Aí você acorda todo belo e formoso em um paraíso, cercado de animais mansos que não representarão nenhuma ameaça a sua vida... Mas e você? Deixou de ser uma ameaça à vida deles? O que você vai comer nesse belo paraíso que herdou? Frutas? Aprendeu no tempo em que viveu na terra a respeitar e ter compaixão por todas as formas de vida? Educou seu espírito? Não se esqueça o que você fazia quando o mundo acabou... Seria fácil demais não é?
Deixar de comer carne não é para qualquer um; é uma renúncia praticada minuto a minuto, devendo começar neste mundo... Agora! Motivos para não fazê-lo existem às centenas, mas só existe um motivo para fazer: O amor!
Aí você me diz: Mas eu segui todas as regras da minha doutrina: Sangrei o animal antes de comer, ou não comi suínos, ou não comi vacas, ou não comi carnes vermelha na semana santa, ou não comi nada que ciscasse, ou só comi carne de animal abatido da forma certa... (tem religião por aí que ensina isso). E desde quando existe uma forma certa ou permitida para matar?
Se pesquisarmos a fundo, veremos que todos os dogmas religiosos possuem uma regra de esporádica abstenção da carne, ou condicionam de alguma forma o consumo dela como se isso fosse o suficiente para a “salvação” prometida. Ensinamentos fragmentados dando início a inúmeras doutrinas. É como se cada doutrina escolhesse dentre as leis Divinas apenas aquilo que lhe fosse viável, ou seja, praticável. Tudo fácil demais para atrair as multidões e as contribuições em dinheiro para dentro dos templos.
Meu pai, enquanto nesse mundo, sempre dizia que igreja era uma roça. Na época eu não entendia, mas hoje sei que quando ele se referia à roça, queria dizer uma forma de ganhar dinheiro, um comércio. Meu pai, na sua sabedoria, nunca freqüentou uma igreja sequer, mas foi e é um espírito iluminado que cumpriu sua jornada nesse mundo dentro das condições que se apresentaram a ele, de forma impecável.
Quer viver dias melhores? Então comece a mudança que quer ver, nas ruas, na sua cidade, pois a mudança do mundo começa primeiramente em nós. Não se pode cobrar dos outros, aquilo que ainda não praticamos, pois somos nós quem fazemos o mundo. Individualmente...
Dias melhores virão sim, mas não esperemos por Deus, de braços cruzados, para que isso aconteça. Ao contrário, Deus espera por nós para que façamos acontecer. Ele espera por uma terra justa, onde o amor entre todas as Suas criaturas reine, sem especismo, sem dominação. Ele espera ver nos olhos de cada um de nós o amor que Ele vê nos olhos de Jesus, e essa é a promessa Dele para conosco. A promessa de que somos capazes de mudar, sozinhos, domando nossos próprios monstros.
O que somos quando chegamos a este mundo é um presente de Deus, mas o que nos tornamos antes de deixá-lo é o nosso presente para Ele.
Vanderli do Carmo
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Crimes iguais, vítimas diferentes
O caso do menino João Hélio arrastado por mais de 7 km na zona norte do Rio de Janeiro, preso ao cinto de segurança de um veículo, sem dúvida gerou muita comoção. Ouvir algo assim tão cruel desperta em nós um sentimento de muita dor e revolta, afinal poderia ser nosso filho, nosso neto, nosso irmão. O que poucos sabem é que anos antes, um caso semelhante aconteceu, e passou quase despercebido; uma cadela grávida foi arrastada por cinco quadras, e teve uma morte terrível assim como o João Hélio. Bom, ai você leitor pensa: “Mas, não se pode comparar uma criança com uma cadela”.
Um estudo do FBI nos Estados Unidos (Escritório Federal de Investigação) mostra que 80% dos assassinos em série e estupradores apresentam históricos de maus tratos em animais.
"No sábado da semana passada, cometi meu primeiro assassinato. A vítima foi minha querida cachorra Sparkle. Nunca vou esquecer o uivo que ela deu. Pereceu algo quase humano. Então nós rimos e batemos mais nela".
Esta frase foi extraída do diário de Luke Woodham, 16 anos, acusado pela morte da mãe e por ter matado a tiros dois colegas no Mississipi.
Como dizia Mahatma Ghandi: “A grandeza de um país e seu progresso podem ser medidos pela maneira como trata seus animais”.
A violência tem origem profunda que geralmente começa bem cedo; eu sempre digo que a paz começa dentro de casa, em especial dentro do prato.
Como podemos pedir misericórdia a Deus, se não somos misericordiosos com os animais, para os quais somos deuses? Como exigir uma vida sem sofrimento, se tantos animais sofrem diariamente para que possamos saborear um pedaço de carne? Como pedir para que nossos filhos não nos coloquem em asilos, se quando os animais mais precisam de nós, na velhice, são jogados impiedosamente nas ruas? Como querer viver mais e mais, se vivemos da morte de inocentes? Como exigir moradia justa, se desde criança temos prazer em destruir ninhos de pássaros?
O que a vida nos dá, nada mais é do que o reflexo daquilo que oferecemos ao próximo, e quando digo próximo me refiro a todo ser vivo, sem distinção.
Há sempre muita revolta da população diante de um crime bárbaro: Mães jogando bebês no lixo, pais que atiram filhos de prédios, namorados que esquartejam namoradas... Todos os crimes hediondos cometidos já foram treinados e aperfeiçoados; infelizmente os animais são cobaias nesse aprendizado há séculos. O homem só estará pronto a amar incondicionalmente seu semelhante, quando qualquer crime cometido contra um animal for visto com olhos de repugnância.
Maltratar animais é crime, Lei nº 9.605. Denuncie!
Vanderli do Carmo
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Tradições sangrentas
A turba gritava alucinada, ansiosa pelo desenrolar sangrento que caracterizava aquelas “festas”. Os anfiteatros sempre lotados, eram um burburinho de vozes, risos e gritos de revolta. No chão, cristãos inocentes, alguns assustados, outros exibindo uma calma incompatível com a ocasião, eram amarrados em postes, à espera do fim inevitável. Os leões e tigres famintos, pois há dias nenhum alimento lhes era dado, rugiam assustadoramente, salivando pelas presas que dilacerariam em minutos...
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Como toda história, essa dos antigos romanos, viraram páginas em livros, filmes que narram de forma romântica como os homens daqueles tempos eram cruéis, como aqueles dias que sucederam a volta de Jesus aos planos maiores, eram dias de dor e sofrimento.
Afirmamos que aqueles eram outros tempos, que hoje, isso não existe mais, que somos melhores... Será?
Espetáculos como rodeios, touradas, vaquejadas e afins em nada diferem dos costumes antigos, ainda arraigados dentro da maioria.
Participar de uma “festa” – pois é assim que as intitulam –, uma festa onde animais inocentes são forçados de forma cruel a pularem, saltarem, para ver qual bocó vai ficar mais tempo em cima, chega ser uma piada... Infelizmente, para mim não há a menor graça.
Não se usa mais os cristãos, prisioneiros, ladrões ou ainda os treinados gladiadores para isso. Mas por que não? Deveria... O homem não gosta de “festa”? Pois então protagonize sua festa, pare de explorar aqueles que não podem escolher, aqueles que não podem se defender.
Quero deixar bem claro antes de continuar, que sou contra qualquer tipo de crueldade ou violência, envolvendo quem quer que seja, pessoas ou animais, senão amanhã recebo e-mail me criticando. Não estou sugerindo que os homens sejam atirados às feras...
A crueldade ministrada momentos antes de abrir o brete, varia de região para região, mas a ação é a mesma e a exploração continua sendo abominável. Alguns dizem que os animais nada sofrem, que são bem cuidados, que são animais tratados como celebridades. Ótimo! Quem se oferece para trocar de lugar com eles? Ter suas genitálias apertadas por sédem se for macho, ou cheias de cacos de vidro se for fêmea, para pularem de forma engraçada, o mais alto que a dor impulsionar, levar spray de pimenta nos olhos para que sua irritação chegue ao extremo, ou ainda ser cutucado com ferro, varas, choques, sem esquecer um acessório abominável, a espora.
Depois de todo o “treinamento” recebido, os pobres animais ainda levam o nome de “bandido”, “assassino”, “matador”, e coisas do gênero. A tristeza disso tudo, é que esses animais que recebem nomes tão significativos, são os mais dóceis do reino animal, incapazes de ferir, servis e afetuosos. Diferentes do homem, eles não matam nem mesmo para sobreviver.
Onde está a sociedade protetora dos animais, e a lei que proíbe os maus tratos? (Lei nº 9.605, de 13 de Fevereiro de 1998). Provavelmente aqueles que deveriam fazer cumprir a lei, estão escondidos atrás de interesses econômicos.
Isso me lembra os pitt bulls, também considerados uma raça assassina, estigmatizado de forma negativa, correndo o risco até de ser extinto, porque o homem, na sua imbecilidade, os treina para que sejam assim, deturpam a imagem e a condição genética do animal, na vil tentativa de criar monstros.
O rodeio está chegando e levando com ele inúmeros simpatizantes, pessoas que se dizem do bem, que frequentam igrejas, trabalham, pagam suas contas, mas não resistem a um espetaculozinho de horror. Por alguns dias a cidade virará palco de espetáculos que deveriam apenas fazer parte da história, dado o avançado nível moral do planeta, mas não é assim...
Animais continuam a ser explorados em nome da diversão e futilidade; pessoas do “bem” continuam a incentivar essa prática inaceitável, e alguns poucos, mesmo não gostando, se calam.
Toda dor que provocamos no próximo, e quando digo próximo refiro-me a todo ser vivo, volta até nós de uma maneira ou outra, assim como o bem praticado; nada que fizermos nesse mundo passará despercebido pelas leis de Deus! A plantação é livre, mas a colheita é obrigatória...
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Citando minha amiga Glorinha Maria: “Que alegria! Está chegando o rodeio! Alegria para uns, tristeza para outros. Alegria para os homens insensíveis que pelo desejo de vitória, exploram e castigam pobres animais indefesos, como se fossem brinquedos. Tristeza para esses animais que ficam aterrorizados, feridos e acuados. A ironia é que antes de começar o show ainda pedem proteção a Nossa Senhora... E quem proteje os animais?... Acaso pensam que Nossa Senhora abençoará uns e ignorará outros? O ser humano ainda tem muito que aprender...”
Vanderli do Carmo
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Perfume interior
Se você não sai de casa sem perfume, e se preocupa ao menos um pouco com os animais, então você precisa saber.
Um bom perfume é sempre irresistível, dá a sensação de momento especial, limpeza, e passa a informação de quem o usa, sua personalidade e humor. Mas ele esconde algo que poucas pessoas sabem.
Alguns tipos de perfume são fabricados com componentes animais, que são retirados de forma dolorosa e cruel. O Almíscar, Civet ou Musk, tão comuns nos perfumes marcantes, são extraídos de uma secreção seca obtida dolorosamente dos órgãos genitais do cervo almiscareiro, castor, rato silvestre e outros. Gatos selvagens são capturados e mantidos em gaiolas, em condições horríveis, sem comida ou água, sendo chicoteados ao redor dos genitais para produzir o odor. Castores são pegos em armadilhas, cervos são caçados com tiros.
Alternativa: Plantas com odor almiscarado.
A ambergris também é comum em vários perfumes, e é extraído dos intestinos de baleias. A ambergris normalmente é expelida pelas baleias através do intestino ou do vômito e ficam boiando no mar, ou na areia perto da costa; um problema nesse caso é o aumento da caça predatória em busca da preciosa substância que é usado pelas indústrias como um fixador em perfumes.
Alternativa: Fixadores sintéticos ou de origem vegetal.
Somando-se à confusão se um ingrediente é ou não de origem animal é fato que muitas empresas “camuflam” seus rótulos de ingredientes para evitar perder consumidores. Por exemplo, melhor do que usar o termo “proteína animal hidrolisada”, as empresas usam outro termo como “colágeno hidrolisado”. Simples para eles, mas frustrante para o consumidor preocupado. Calcula-se que na China e no Japão milhares de animais foram abatidos clandestinamente nos últimos anos para alimentar esse mercado lucrativo. Apesar das mudanças ocorridas no mundo todo com relação aos direitos animais, a ganância e falta de conscientização tem feito desse mercado cruel, um mercado negro.
Prefira perfumes florais, cítricos, amadeirados, de ervas ou especiarias; eles são uma boa opção de fragrâncias e não causam sofrimento. Fique atento aos componentes do produto. Dê preferência às empresas que fabricam perfumes de maneira responsável, que tenham projetos sociais e ambientais, verifique se há selos verdes que certifiquem se o produto é livre de componentes abrasivos a natureza, principalmente os fixadores.
Vivemos em um mundo de humanos, onde a exploração dos “não humanos” tornou-se algo comum e aceitável.
O tema perfume desta semana é apenas um dentre a inesgotável lista de horrores a que os animais são submetidos em nome do nosso bem estar: Alimentos, medicamentos, vestuários, perfumarias, cosméticos, transporte, higiene, diversão, e por aí vai...
Algumas coisas tornaram-se tão aceitáveis e comuns que nem percebemos como é ridículo e imoral, como exemplo, os testes laboratoriais, que já foi tema de um dos meus artigos. Eu concordo que é impossível dentro do estágio evolutivo em que a terra se encontra hoje, abster-se de todos os produtos que direta ou indiretamente exploram animais, mas podemos tentar...
Pense por um momento, que se por acaso, dentro do organismo humano fosse encontrado uma substância valiosa, que extraída pudesse ser transformada em maravilhosa fragrância, mas que isso implicasse no sofrimento e morte de nossos semelhantes, você usaria esse perfume?
Libere seu perfume interior, passe a informação certa ao usar um perfume; seja consciente, compassivo e deixe que todos saibam disso.
Vanderli do Carmo
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Keiko
Quem já teve oportunidade de assistir a um espetáculo aquático, com certeza saiu muitíssimo satisfeito, já que é uma experiência para se lembrar a vida toda. Ver golfinhos, orcas e focas brincando e exibindo truques, sempre com aquela atmosfera de alegria e cumplicidade com os treinadores, deve ser mágico...
Orcas são animais extremamente sociáveis, vivem com suas mães praticamente a vida toda, em grandes famílias que muitas vezes chegam a cinqüenta membros; são dóceis - apesar da fama de baleias assassinas - inteligentes, brincalhonas e belíssimas. Apesar de serem chamadas de baleias, orcas são grandes golfinhos. Algumas lendas antigas dizem que quando uma orca olha para um ser humano, nunca mais o esquece.
Um número cada vez maior de orcas são capturadas, para serem vendidas e tornarem-se estrelas de espetáculos aquáticos. E a captura de um animal desestabiliza o grupo todo.
Barcos o cercam e o empurram para águas rasas, onde é rodeado por redes e içado para os barcos. Um grande número de golfinhos acaba por ser capturado junto e os que não são “proveitosos” são lançados de volta ao mar violentamente; alguns morrem no impacto, outros de pneumonia tempos depois, grávidas abortam...
As orcas sobreviventes ficam preocupadas com os familiares capturados e tentam salvá-los, iniciando assim uma difícil e triste jornada, onde acabam por chocar-se contra os barcos pesqueiros tentando vira-los (daí a fama de baleia assassina) em uma vã tentativa de reaver seu ente querido.
Orcas e golfinhos livres podem nadar mais de 100 quilômetros por dia, mas os capturados são freqüentemente mantidos em tanques com dez por dois metros e meio em média, um espaço muito pequeno para quem tem a imensidão dos oceanos. Os animais livres passam a maior parte do seu tempo submerso, nadando e caçando, vindo à superfície apenas para respirar. Mas em cativeiro, os tanques são tão rasos que os animais passam mais da metade do tempo à superfície, ocasionando um fator comum nas orcas em cativeiro, que é a barbatana dorsal enrolada, como uma planta murcha.
Capturados, são forçados a aprender truques, usando a suspensão da comida, como uma forma de coação; os parques chegam a reter metade da comida antes de um espetáculo, para que os animais fiquem mais "cooperativos". Os que não correspondem ao esperado são isolados e ignorados, uma verdadeira tortura para animais tão sociais e inteligentes. Orcas e golfinhos em cativeiro vivem em tamanho stress, que chegam ao suicídio. Jacques Cousteau e o seu filho, Jean-Michel, juraram nunca capturar mamíferos marinhos novamente após testemunharem o suicídio de um golfinho cativo, que se atirou deliberadamente contra as paredes do seu tanque até a morte.
Keiko nasceu em 1976, e com dois anos de idade foi capturado passando a maior parte da sua vida no cativeiro, em diversos parques aquáticos; a história dele é uma história comum, como de inúmeras orcas que vivem de entreter pelo mundo, públicos cada vez maiores.
Poderia ser mais uma história, mas ele é especial, afinal tornou-se uma estrela de Hollywood; Keiko protagonizou a série de filmes “Free Willy”, que conta exatamente a história de sua vida: Uma baleia em cativeiro, saudosa dos seus familiares, e um garoto problema que tenta salvá-la. Após o sucesso dele nos cinemas, uma campanha pela sua libertação ganhou força e com o dinheiro de um grande estúdio de cinema e o trabalho voluntário de muitos biólogos e simpatizantes, um grande projeto de libertação começou. Keiko foi transferido para um tanque no mar, onde aprendeu caçar e viver em espaço aberto; mostrou-se forte e capaz, dando a todos os envolvidos a certeza de que ele poderia sobreviver e reencontrar sua família.
Infelizmente o que aconteceu a seguir não foi tão feliz... Depois de liberto, Keiko percorreu mais de mil quilômetros em dois meses, mas foi reconhecido por um barco e multidões vieram vê-lo. Fotógrafos queriam uma foto da celebridade, crianças queriam vê-lo de perto. Em pouco tempo foi cercado por barcos, não conseguia mais caçar e parou de se alimentar.
Keiko morreu de pneumonia aos 25 anos de idade e nunca reencontrou sua mãe. Foi enterrado às margens do fiorde norueguês onde viveu nos últimos anos; foi sepultado em terra, fato excepcional para um mamífero marinho...
Portanto, sempre que se deparar com algum espetáculo onde animais sejam os protagonistas do show, tenha certeza de que aquele show custou muito mais do que você pagou; foi à custa do sofrimento, privação, prisão e coação da “estrela” que você pôde assistir no espetáculo.
Vanderli do Carmo
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Comendo atum, matando golfinhos
Do alto da proa pode-se divisar o mar infindável à frente como um imenso tapete azul, calmo e espesso. O céu quente e mesclado de nuvens é a única testemunha quando a rede pesada é atirada ao mar por um grupo de pescadores. A agilidade daqueles homens que aprenderam há muito, a arte e a frieza da solidão, faz com que a rede se espalhe uniformemente nas águas compactas, para afundar em seguida; no fundo dessas águas um cardume de atum nada alheio aos acontecimentos que se desenrolarão a seguir...
O atum é uma carne muito apreciada no mundo, vem na praticidade de uma lata, encontra-se em qualquer lugar e não requer muito tempo no preparo. Além disso, ainda vem acompanhado de todo o bla bla bla incentivador dos nutricionistas, que a cada dia nos confundem, mudando de opinião quanto ao que é ruim e o que é bom para nossa alimentação. Essa procura pelo atum incentiva a caça predatória do mesmo, abrindo espaço para a busca do lucro exacerbado e desmedido.
... O cardume avança, mas eles não estão sozinhos; centenas de golfinhos viajam juntos... A rede desce suavemente e toca o fundo das águas. Percebendo a armadilha, os golfinhos tentam escapar, mas já é tarde... A luta para se libertar começa, e a rede lentamente começa a recuar, amontoando peixes e mamíferos em um único espaço sufocante. Alguns filhotes pressionados pelos maiores acabam morrendo rápido, outros são içados vivos, mas morrem horas depois...
Essa é uma realidade que pouquíssimas pessoas conhecem, afinal na lata de atum não está escrito quantos golfinhos morreram para que o alimento supostamente “perfeito” chegasse ao prato daqueles que pagam pelo crime, os consumidores.
Um estudo mostra que nos últimos trinta anos, aproximadamente seis milhões de golfinhos morreram, para que o atum chegasse aos cardápios do mundo. Um massacre, para saborear algo que, com certeza, não nos faria falta alguma.
Em 1990 foi feita uma grande campanha e muitas companhias aderiram ao lema “amigo dos golfinhos”, mas não durou, afinal onde tem muito dinheiro envolvido, perde-se a razão. Algumas dessas mesmas empresas que aderiram à campanha foram pegas em flagrante, a história voltou a se repetir e a campanha perdeu força.
Atum foi a primeira carne que deixei de comer.
Infelizmente nos conscientizamos aos poucos e na época, vinte anos atrás, essa triste realidade foi a primeira a bater na minha porta. Ser responsável pela morte de golfinhos? Nunca! Aos poucos outras realidades me foram sendo descortinadas, algumas até mais cruéis que essa, e o mundo, aos meus olhos, deixou de ser colorido. Todos esses artigos que escrevo de alguma forma é minha contribuição para que você também acorde e perceba que o mundo em que vivemos é um lugar de muita dor para os animais, mas que não precisamos ser seus algozes, temos o livre arbítrio de escolher o lado que vamos seguir ou agir.
O homem moderno não vai lá jogar o anzol e apanhar alguns peixes para alimentar sua família. O homem vai lá, atira uma rede, apanha toneladas de peixe, e nessa busca pelo capital, apanha outros animais como tartarugas, lulas, caranguejos, golfinhos, tubarões e o que mais vier...
Neste artigo o assunto é golfinho, já que atum é parte da dieta deles, e essa busca tornou-se um massacre para esses seres tão especiais. Alguns pescadores seguem os golfinhos esperando a hora em que um cardume de atum seja seguido e acompanhado de perto, para assim jogar a rede.
Apesar de toda essa campanha que faço em defesa dos animais, não sou contra que um pai de família mate um animal para alimentar seus filhos, acredito que isso seja algo muito nobre para o animal sacrificado, e contará muitos pontos na sua jornada evolutiva; sou contra quem se esconde atrás das indústrias de morte e dor, e nem ao menos procura saber a origem do bife que coloca no prato dos seus filhos. É muito cômodo ir ao mercado e comprar carne, você não viu o processo, não viu a dor e sofrimento do ser inocente que deu a vida para o seu prazer. Digo prazer, pois comer carne não é necessário para a sobrevivência do nosso corpo, podemos viver perfeitamente sem ela; as pessoas comem por prazer porque não se importam com nada que não seja sua própria gula. Quer comer carne? Vá lá e mate, olhe nos olhos, sinta o medo, espere até o último suspiro, limpe, desosse, faça o processo todo, se você conseguir, então realmente precisa comer carne. O homem reivindica seu lugar de espécie dominante na natureza, mas quando o assunto é comer carne, alega que os outros animais também o fazem e voltam ao final da lista, onde estão os animais selvagens.
Como dizia Leonardo Da Vinci: “Meu corpo não é um cemitério.”
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Imagine-se em uma pequena gaiola, o suficiente para que você caiba dentro; sob os pés apenas uma grade para que suas necessidades fisiológicas não acumulem em seus pés. Essas fezes que passam pelas grades, ficam depositadas por meses abaixo da sua gaiola, liberando um gaz fétido, que contamina o ar, a água e o alimento.
Para que produza o que esperam de você é obrigado a comer noite e dia, pois a noite e o dia misturam-se, já que luzes ficam sempre acesas sobre sua cabeça, e consequentemente você não consegue dormir. O alimento que é forçado a comer vem enriquecido com hormônios e antibióticos, o que provoca em você o acúmulo de toxinas.
Mas você não está sozinho... Centenas, milhares de outros iguais a você dividem o barracão onde sua gaiola se aloja ao lado das outras, a perder de vista. Quando chove você se molha, quando o sol incomoda, não há como procurar uma sombra. Passará sua vida toda sem poder andar, correr, espreguiçar-se, pisar em chão firme, criar laços sociais...
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Para que o ovo, curinga das receitas, chegue às nossas mesas, as galinhas poedeiras vivem esse inferno durante toda sua vida.
O ovo é considerado o alimento perfeito e está praticamente em todas as receitas, mas o custo para que esse curinga esteja à nossa disposição é bem mais alto do que pagamos.
Todo o processo de dor dá-se início no nascimento, quando os pintainhos machos são descartados já ao nascerem, alguns atirados vivos em fornalhas, ou deixados dentro de caixas onde morrem sufocados. Outros viram ração, temperos (nesses casos são trituados vivos com penas e fezes), pois sendo machos de nada servirão aos interesses dos produtores. Quando as galinhas iniciam sua vida de produção (escravidão), para que não biquem os tratadores, têm parte do seu bico cortado em um processo doloroso e cruel, chamado de debicagem; processo que consiste em cortar quase todo o bico com uma lâmina quente, sem anestesia alguma. Nesse processo corta-se ossos, cartilagem, vasos sanguíneos e tecidos moles, o que causa graves infecções nos olhos. Algumas morrem de fome após o processo por não conseguirem comer; a debicagem é feita ao menos duas vezes durante a “vida útil” da ave.
Para quem não sabe, existe um período na vida de toda ave, onde esta renova suas penas e bicos, preparando-se para a próxima etapa da vida. Serve como uma transformação, uma renovação. Durante esse tempo a ave repousa, diminui a alimentação e fica muito vulnerável. A esse processo dá-se o nome de “muda”.
As galinhas também possuem esse período, mas como seria de grande prejuízo para o produtor, que as milhares de galinhas poedeiras fizessem a “muda” em períodos alternados, é induzida assim à “muda forçada”, que consiste na suspensão do alimento por 15 a 20 dias; em alguns casos também há suspensão da água por 3 dias, fazendo as galinhas perderem as penas e forçosamente entrar no processo de “muda” simultâneamente. Já presenciei o desespero de quem trabalha em granjas e possui um pouco de sensibilidade, quando veem as galinhas comendo a madeira do cocho de fome e sede. Algo difícil de esquecer!
A vida útil de uma galinha poedeira é de 1 ano apenas, pois seu corpo não resiste muito mais que isso. Com todo o estresse e desgaste, algumas morrem com ovos entalados, vítimas de algum tipo de AVC. Outras com problemas de fígado devido ao esforço para produzir gorduras e proteínas para os ovos. Quando estão totalmente debilitadas, algumas com visíveis problemas de osteoporose nas pernas deformadas, são vendidas para frigoríficos; seus ossos já totalmente descalcificados quebram-se no transporte, e no frigorífico seus corpos são desfeitos para que o consumidor não perceba as nódoas pretas, frequentes pelos seus corpos. Algumas viram gordura, outras temperos (aqueles famosos caldos...)
Bom, alguns devem estar questionando minha real opinião sobre a produção de ovos, e eu não serei hipócrita em dizer que o mundo conseguiria viver nesse momento sem o consumo deles. É, infelizmente, um mal nescessário. Mas não é necessário que seja feito dessa forma...
O homem habitua-se a explorar os indefesos quando os lucros sobrepujam a consciência; sempre foi assim e ainda será por um bom tempo.
Existe em andamento e estudo, um novo tipo de granja, onde as galinhas são criadas soltas, andando, ciscando, sem sofrimento; infelizmente isso requer novas instalações e novos gastos aos milionários produtores.
O homem supervalorizando seu lugar nesse mundo, detêm em suas mãos o destino de milhares de indefesos, decidindo se serão felizes ou sofrerão, se viverão ou morrerão...
Vanderli do Carmo
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Foie gras
O fígado, a maior glândula do corpo humano, é responsável por inúmeras e importantes funções, desde a filtragem do sangue ao depósito de vitaminas. Muitas doenças também acometem o fígado, e apesar dele se regenerar sozinho, muitas são fatais.
O acúmulo de gordura nas suas células pode evoluir de uma hepatite gordurosa a uma fibrose até uma cirrose hepática. Ele fica inchado, muito maior que seu tamanho normal, com o aspecto de um órgão acometido por um câncer.
Você comeria um fígado assim?
O foie gras, ou como o nome em francês já diz “fígado gordo”, é uma iguaria caríssima, servida nas mesas e banquetes mais requintados do mundo. Nas próximas linhas vocês verão que requinte nem sempre é sinônimo de bom gosto e de bom senso.
O ingrediente principal para se fabricar o foie gras, é o fígado do ganso, podendo também ser feito com o fígado do pato, mas não possuindo o mesmo valor no mercado.
Para que essa “iguaria” chegue aos canapés dos salões e restaurantes mais imponentes do mundo, o ganso é aprisionado e durante alguns meses é alimentado normalmente; semanas antes do abate, com a ajuda de um funil que é enfiado na sua garganta, uma grande quantidade de milho cozido é introduzido em seu estômago, com a finalidade de engordar seu fígado, que doente, incha (pode ficar dez vezes maior que o tamanho normal), e é esse inchaço que agrada aos gourmets do mundo. A quantidade de alimento que são forçados a engolir começa com duzentos gramas e chega a três quilos no final do processo. Um foie gras considerado “de primeira” é aquele cujo fígado utilizado tenha visível, impressas nele, as marcas das costelas do ganso, sinal que este aumentou (adoeceu) na quantidade esperada.
Como o fígado da fêmea não é bem quisto para esse fim, pois são consideradas fracas por não suportarem a tortura tão bem, elas são mortas ao nascer de forma cruel, algumas vezes são trituradas ou entulhadas dentro de sacos plásticos e depois escaldadas vivas.
Os gansos são animais que vivem a maior parte da sua vida na água, mas para alimentar esse mercado caro e cruel, são condenados a viverem em galpões, dentro de pequenas gaiolas de um metro por dois, espaço que seria pequeno para um animal apenas, mas que aloja doze deles. O espaço é tão pequeno que eles nem podem virar-se ou esticar as asas passando os dias imóveis, com a cabeça presa, sobre telas que ferem seus pés. Quando o tubo de metal que possui em média trinta centímetros é introduzido em seu estômago sem anestesia e de forma violenta, muitas aves vomitam e se asfixiam, ou acabam por ter seu esôfago perfurado resultando em sua morte “prematura”. Os pobres infelizes que sobrevivem desenvolvem infecções no pescoço, sofrem de diarreias diárias, disfunções cardíacas, o que torna seus dias ainda mais dolorosos.
Alguns gansos são levados para o abate, já desacordados, em coma total, e nem sentem quando são pendurados de cabeça para baixo para serem eletrocutados e sangrados.
Tudo isso para que mesmo? Ah! Sim... Para que uma minoria da sociedade coma um patezinho que nem é uma alimentação, uma pasta servida em uma minúscula torrada, uma frescura totalmente desnecessária para quem consome, mas de grande relevância para o pobre animal que teve sua vida explorada e destruída.
Você que lê pode pensar: Que tenho eu a ver com isso? Nunca vou comer esse negócio mesmo...
Existe muita coisa acontecendo neste mundo, ou mesmo em nossa cidade ou nosso bairro, que pensamos não nos dizer respeito, estamos alheios, escondidos e acomodados dentro de nossas casas protegidos por nossa ignorância. Citarei aqui, Edmund Burke, frase que também foi usada por ocasião da segunda guerra mundial, quando alguns poderosos alegaram que a prisão dos judeus não lhes dizia respeito e se calaram diante da insanidade de Hitler, dando início à passagem mais vergonhosa da nossa história...
“Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada...”
Toda forma de crueldade, contra humanos ou animais, só acontece por que uma grande parcela da sociedade é permissiva e omissa. Somos nós que construímos o mundo, seja de guerra ou de paz.
Então, sempre que tiver oportunidade, tome uma atitude, não se cale, passe a informação adiante...
Vanderli do Carmo
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Desumanos
Quantas vezes você já ouviu ou já proferiu esta frase?:
“_Que desumano! Quem faz isso é um animal!”
Então me deixa traduzir esta frase tão usada e pouco analisada: Desumano é tudo que foge à ideia que fazemos de humanidade, algo cruel, bárbaro. A pessoa “não sendo humana”, supostamente seria um animal, pois nós humanos, não conhecemos outra definição para enquadrá-lo. Ou somos humanos ou somos animais...
A expressão, “seja mais humano” ou “isso é desumano”, está equivocada... Sou totalmente a favor de se criar uma nova palavra, e mudar o termo desumano, para desanimal. Desanimal seria tudo aquilo que estivesse em desacordo com os animais, ou suas respectivas ações.
A palavra “desumano” não condiz com a realidade terrena, pois o único ser que consegue praticar a desumanidade é aquele que criou a expressão, ou seja o próprio ser humano.
Eu nunca vi um animal praticar a tão falada desumanidade, mas já vi sim, o ser humano praticar, repetir e continuar praticando.
Quem mata por prazer está sendo cruel, então é desumano E quem o faz? O ser humano.
Quem estupra está sendo bárbaro, então é desumano. Quem o faz? O ser humano.
Quem espanca velhinhos está sendo, no mínimo, bárbaro, e quem o faz? O ser humano.
Então por que dizer que ele não é humano? Já viu algum animal fazendo algo parecido? Quem faz está sendo totalmente humano, agindo como só agem os seres humanos, sem margens para questionamentos.
Os animais, quando matam, o fazem apenas para sobreviver, e a maioria dos carnívoros ou carniceiros, alimenta-se de outros animais que já morreram naturalmente, ou do que sobra da caça dos grandes felinos.
Já imaginou se o leão, espertalhão, resolvesse abrir um açougue de carne humana e servir àqueles leões preguiçosos que não são chegados a uma caça? Coitados de muitos de nós...
Os animais são mais “humanos” que muitos dos pertencentes a essa raça, pois chegam a adotar seres de outras espécies, amamentando e cuidando, sem importar-se com a pelagem, forma e cor. Histórias incríveis como a da tigresa que adotou os filhotes de porquinhos (foto), amamentando-os, sem ater-se ao fato que na natureza aqueles filhotes seriam seu alimento. Ou a cadela que adotou uma ninhada de gatinhos, abandonados em uma lata de lixo (!), na mesma praça em que ela também fora deixada um dia. Uma cadela, que para salvar os filhotes de gato abandonados, começou a produzir leite.
Só um animal muito “humano” conseguiria praticar tamanho ato de desprendimento. Algumas mães humanas não tem paciência nem para amamentar sua própria cria, já vão logo enfiando a fórmula industrial nela, fórmula essa que é feita de leite de vaca, como se o seu filho fosse um bezerro. Já soube de mulheres que pediram aos seus médicos, remédios para secar o leite e não terem o “transtorno” de ter que amamentar. Lamentável...
Então alguém me diz quem é mais humano nessa história, ou devo dizer quem é mais animal?
Quando vemos um ato bárbaro, daqueles que nos deixam por dias atormentados, como para mim, é o estupro de bebês, a crueldade bizarra com gatinhos, ou retirar filhotinhos de suas mães matando-os de forma cruel, sempre atribuímos a essa escória o título de animal. Ah, se esse cidadão fosse um animal... No mínimo ainda teria o lampejo da bondade no seu coração “desanimal”...
Os animais são desumanos sim, graças a Deus, afinal não praticam a humanidade, não matam por prazer, não estupram, não comem sem ter fome, não destroem o planeta onde vivem, não traem e não ambicionam mais que o necessário para sobreviver.
Muitas vezes precisamos esquecer os milênios de evolução que nos separam dos animais, precisamos esquecer os costumes aprendidos e adquiridos, precisamos esquecer toda a ladainha de que somos superiores e nos voltarmos para a simplicidade. A simplicidade do instinto fraterno. Os animais não possuem sentimento? Talvez a ciência “comprove” isso, e muitos acreditem. Para mim eles não possuem os “nossos sentimentos”, o que é bem diferente, não possuem o ódio, a inveja, a crueldade, e tantos atributos que fazem da nossa espécie, a espécie dominante (ou devo dizer dominadora?).
Apesar de serem primitivos e guiados pelos instintos, os animais possuem o maior de todos os sentimentos, ainda no estágio puro, o sentimento que constrói e salva... O amor...
Sejamos ao menos uma vez por dia, menos humanos e mais animais...
Vanderli do Carmo
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Covardes e hipócritas
O apresentador da rede globo, aquele “acima do peso” que tem programa nas madrugadas, disse em um de seus programas que vegetarianos são covardes, pois comem a cenoura que não pode correr para escapar da morte, já o coelho pode...
(Um segundo para rir...)
Será que o gordinho em questão está dando a chance para suas presas correrem? Ou ele vai direto ao supermercado e compra as toneladas de carne que ingere, já morta e embalada?
Eu tinha certo respeito por ele, até esse dia...
Somos hipócritas também segundo algumas mentes “privilegiadas”, pois alegamos não comer nenhum ser vivo, mas comemos plantas e plantas também são seres vivos.
Mais um segundinho para rir?
Alguém já viu uma berinjela sangrar enquanto é “abatida”? Alguém já viu uma cenoura com olhos assustados, pupilas dilatadas momentos antes do golpe final? Alguém já viu um pé de alface tentar proteger seu filhote daquele que vem para leva-lo? Alguém já abriu uma abóbora e encontrou dentro dela, filhotinhos perfeitos prontos para nascer? Alguém já desossou uma batata?
As plantas possuem o princípio da inteligência sim, já sabem se direcionar para o sol, já conseguem retirar do solo os nutrientes que precisam, reagem ao calor, frio e ao toque, mas ainda estão infinitamente longe de adquirirem o sentimento, talvez milênios na escala evolutiva.
Os animais não são os únicos seres que merecem atenção da minha parte. Adoro árvores, adoro plantas e flores, sinto-me triste em arrancar o mato que cresce no fundo do quintal, pois sei que cada sementinha, seja de belas flores ou apenas de erva daninha, tem sua utilidade nessa vida. Mas também sei que as plantas ainda estão longe de sentirem dor, pois ainda não possuem sistema nervoso. Estão longe de terem emoções, pois não possuem cérebro, como acontece com os animais, humanos e não humanos.
Animais humanos e não humanos são tão parecidos, que se temos a medicina em tão avançado nível nos dias atuais, foi graças aos corpos desses últimos, que desde os primórdios já eram usados na vivissecção, como substituto do corpo humano.
A hipocrisia dita está na incoerência dos argumentos dos que não conseguem parar de consumir morte, mas se julgam aptos a contradizer aqueles que, cheios de argumentos reais, lutam pela vida.
A covardia dita está em ir até a esquina (infelizmente vemos açougues em todas elas) e comprar o animal morto e já embalado, livrando-se do esforço de correr atrás dele (como se alguns desses falastrões conseguissem alcançá-los (risos)).
Um recado para quem tem a coragem de verbalizar tantas idiotices: faça algo de útil na sua vida, não perca tempo tentando minar as energias daqueles que doam um pouco do tempo na luta pelas vítimas da crueldade humana. Não seja hipócrita, não se esconda atrás de argumentos ridículos para continuar se fartando do sofrimento. Não seja covarde, vá lá e mate seu próprio alimento (já que você não tem sentimento mesmo) e não espere que as indústrias de morte o façam para você.
Se existem covardes e hipócritas como nós, é pela necessidade de limpar um pouco da sujeira de covardes e hipócritas como você, gordinho, e seus semelhantes, responsáveis diretos pela crueldade neste planeta.
Vanderli do Carmo
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Capacidade de amar...
Aconteceu no Japão... Em um dia nublado, as andorinhas faziam revoadas no céu cinza...
No asfalto, uma andorinha morta; não se sabe como, mas ela estava lá, inerte e ignorada pelas pessoas que iam e vinham. O fato poderia ter passado despercebido se não fosse a sensibilidade do fotógrafo Wilson Hsu, que fez uma sequência de fotos que emocionaram milhares de pessoas em todo o mundo.
A andorinha morta, logo recebe a companhia de outra andorinha que parece não acreditar que sua amada esteja morta; tenta alimentá-la, bate as asas sobre ela, tenta movê-la com os pés e nada... Logo uma terceira andorinha se aproxima e tenta convencer a segunda de que sua amada está morta, mas a pequena se irrita, bate as asas tentando afastar a “intrusa” que tenta convencê-la de algo tão cruel. “-Deixe-nos á sós” parece querer dizer enquanto bate vigorosamente as asas. Um grande caminhão passa, e o movimento do ar, faz a pequena andorinha inerte rolar sobre o asfalto, reascendendo a esperança no coração daquela que reluta em aceitar a verdade. “- Acorda!” parece gritar, enquanto chacoalha a amada morta... Mas ela não responde... Ela já não pode mais responder...
E ela fica lá abrigando o pequenino corpo sem vida sob suas asas, como que o protegendo do mundo... Em uma última tentativa tenta mover o corpo, mas não conseguindo, solta um canto triste e fica pulando de galho em galho em um jardim próximo. O fotógrafo que até então se mantivera apenas de expectador, entende o pedido e retira o corpinho frágil e sem vida do asfalto e o coloca no jardim onde a outra andorinha já espera nas árvores.
Após certificar-se de que sua amada está em local seguro, a pequena levanta vôo e se junta ao bando que já a espera no céu, mas não sem antes gritar e sobrevoar o local por diversas vezes, como que num último adeus...
Essa história levanta uma questão difícil de aceitar para muitas pessoas: A capacidade que os animais possuem de sentir. Não falo sentir no sentido físico, como dor, fome, frio... Falo no sentido emocional. Para muitos, constatar que um animal sente uma perda, é repensar muitos conceitos, pois quando se saboreia um bife, é melhor acreditar que aquele animal é um ser estúpido, que nasceu para ser alimento, e assim sendo, não sofrerá por isso.
Os animais amam, e amando sofrerão a perda, alguns com maior ou menor intensidade que outros, pois assim como nós, eles estão em diferentes estágios da evolução.
Os animais amam... O seu animal te ama... Ama quando te espera por horas deitado no portão com a cabeça voltada para a rua, e quando você chega apressado e passa por ele sem lhe dar atenção, ele continuará te amando... Quando você se esquecer de alimentá-lo, de trocar sua água, ou ainda de abriga-lo em dias frios, pode ter certeza de que ele não se importará e continuará te amando... Quando você o castigar por algo sem importância, e triste ele se deitar aos seus pés, mesmo assim ele continuará te amando... Quando você sair de férias e o deixar sozinho em casa, apesar da tristeza com que ele ficará esperando hora após hora a sua chegada, mesmo assim ele continuará te amando...
Você conhece alguém dentre os humanos que após tantas falhas suas, continue te amando?
Vanderli do Carmo
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E por falar em gente e bicho...
Dias atrás, a filha de uma amiga fez como trabalho escolar a interpretação de um texto. Texto este publicado na revista Veja, de autoria da escritora Lya Luft, e que trazia como título: “As baleias não me emocionam”. Com um título desses o artigo despertou muito mais que o interesse pela leitura e minha amiga me mandou rapidinho para que eu lesse. Resolvi escrever algo, mas constatei que a matéria era bem antiga, de 2004. O que fazer? Na opinião dela, Lia Luft, salvar baleias só deveria ser feito quando não houvesse mais crianças enfiando a cara no vidro do carro nos semáforos, que o dinheiro dispendido nisso poderia ser usado com pessoas, entre outras coisas...
Aquilo ficou engasgado e as respostas fluindo. Resolvi escrever apesar de saber que muito tempo se passou e quem sabe o conceito dela (a escritora) com relação à vida tenha mudado. Afinal, o que seria da nossa mísera espécie sem mudanças? O que seria do nosso mundo?
Então pergunto: Por que alimentar os animais, se esse alimento poderia ser destinado a crianças carentes?
Por que gastar dinheiro com cães de rua quando existem tantas crianças nos semáforos?
Por que tanta mobilização com baleias encalhadas e pinguins perdidos, quando na mesma praia pessoas morrem de fome nas calçadas?
Por que tanto desamor?
O mundo está um caos, as pessoas perderam a compaixão, andam sempre apressadas, sempre estressadas, e falo até mesmo por mim. Então fica difícil olhar nosso semelhante com o olhar de amor que Jesus nos ensinou, ainda mais quando esse mesmo semelhante é o responsável direto pelo nosso estresse. Quem nunca quis “esganar” alguém que atire a primeira pedra. Sogra, cunhada, chefe, irmãos, vizinhos, amigos, cônjuges, filhos... São tantos os seres estressantes que cruzam nosso caminho, que quando vemos uma pessoa na calçada com frio e fome, pensamos: teve o que mereceu; bebeu por que quis; tá com fome por que é vagabundo...
O amor morreu nas esquinas e calçadas onde morrem diariamente nossos irmãos humanos menos favorecidos.
Por que salvar apenas gente? Por que salvar apenas bicho? Não podemos salvar aos dois?
Não se rotula o amor. Se o fizermos é porque já o perdemos ou nunca o tivemos.
Em um momento da matéria, a escritora diz que o dinheiro dispendido com animais poderia ser usado com crianças e outras pessoas, então eu pergunto: Que dinheiro? Em que mundo será que ela vive? Pois aqui nessa galáxia, no terceiro planetinha a partir do Sol, os animais são esquecidos, excluídos, explorados, mutilados, devorados e torturados. Tá bom, ou quer mais?
Não existe um sistema de saúde público para animal, não existe um seguro acidente para animal, não existe um “bolsa família”, ou licença maternidade para a mamãe cadela faminta, que deixa seus bebezinhos em algum buraco do terreno baldio, e sai à procura de restos para produzir o leite necessário que os alimenta, ainda que para isso precise revirar o lixo das nossas casas, ou ficar nas portas de lanchonetes, com aquele olhar “pidoncho”, as úberes arrastando no chão, o estômago vazio, pois tudo o que consegue comer é utilizado na produção do sagrado alimento para seus filhotes.
O dinheiro mencionado, aquele que não está sendo utilizado com as crianças, também não o está sendo com os animais, não no meu planeta... Esse dinheiro está sendo encaminhado para as contas gordurosas de alguns, para os salários desproporcionais de outros, para as roupas de grife de madames, para os carros importados de fulanos e sicranos, para as mansões de “futebolistas”... E por ai vai, infinitamente...
O descaso com os animais é uma das maiores falhas que cometemos nos tempos em que vivemos, e desrespeitar o sentimento que eles (animais) despertam em poucos de nós, humanos, é no mínimo inaceitável.
Talvez ela estivesse com raiva das mulheres que tratam os animais como bibelôs, que gastam horrores com um único cãozinho, e decidiu enquadrar a todos; mas essas aí são loucas, pessoas desajustadas, não se deve levar em conta... Assim com algumas mães humanas que gastam meio milhão de reais na festa de um aninho da filha, apenas para debutar sua conquista. Você não concorda comigo que esse dinheiro alimentaria muitas “carinhas enfiadas nos vidros do carro”?
Sou muito mais contra o desperdício de dinheiro com “coisas”, carros, casas e afins. Gastar dinheiro alimentando ou salvando vidas, independente qual forma tenha essa vida, sempre será válido e sempre será memorável...
Se a ambulância não chega para atender um doente na calçada, se milhares ignoram uma criança no semáforo, se o mundo anda tão cheio de desamor, isso deve ter começado em algum lugar. Talvez na “frieza nórdica” da discriminação, aquela mesma que prioriza e rotula vidas: Essa eu salvo, essa eu como, essa eu visto, essa eu empalho, essa eu exibo, essa eu exploro.
Para que Greenpeace não é? Para que também IBAMA ou WSPA?
Ignoremos as baleias encalhadas então! Deixemo-las morrendo à mingua, já que há tantas crianças passando fome, e tantos sem teto morrendo pelas ruas. Enquanto isso, assistamos “emocionados”, nosso governo pagando o “ingresso” de dez milhões de reais para termos um representante astronauta no espaço e nos enchamos de orgulho por ver estampado no milionário traje espacial, nossa humilde bandeirola.
Se as baleias não emocionam, não acredito que algo mais vá fazê-lo...
Os grandes humanistas, aqueles que nos honram na nossa pobre humanidade, não defendiam apenas pessoas. Chico Xavier, nosso maior exemplo nesse sentido, possuía um coração tão grande que nele cabiam todas as pessoas do mundo e de sobra, os animais também. Devo lembrar ainda que Gandhi era vegetariano, Jesus foi vegetariano e nasceu entre animais, Buda pregou o amor e se absteve do consumo de carne, São Francisco de Assis passou sua vida cuidando de doentes e todos nós sabemos de seu amor pelos animais. Tenho certeza que “as pessoas que torciam as mãos e faziam orações” pelas baleias encalhadas, não negam amor ao seu semelhante, pois a fagulha do amor é uma só, se foi despertada uma vez, nunca se apaga e esse amor só entende quem o sente.
Não tenho a pretensão de ser jornalista, e como dizia o rei, “desculpem as falhas do meu português ruim”... Apenas amo escrever e amo animais. E assunto chega aos montes, pois como já escrevi anteriormente, o ser humano me dá motivos de sobra para ter sempre um artigo quentinho toda semana.
E antes que me interpretem mal, amo as pessoas também. Em minha porta nunca neguei um prato de comida, fosse para um animal humano, ou não!
Vanderli do Carmo
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